Design thinking: como Apple e Google aplicam essa metodologia

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Esqueça aqueles artigos que costumam seguir um mesmo padrão com um guia completo sobre o que é design thinking, como funciona e quais são as suas vantagens. A nossa proposta é ensiná-lo essa abordagem de um jeito diferente e prático. 

Neste artigo, vamos mostrar cases de duas empresas que, provavelmente, você conhece no mercado: Apple e Google. Você entenderá tudo sobre design thinking, descobrindo técnicas e ferramentas que foram aplicadas por essas companhias. Em alguns momentos é possível imaginar até que você está participando do processo criativo dessas empresas. 

Vamos lá? 

Apple 

A Apple é uma empresa que dispensa apresentações. A marca conseguiu tanto destaque no mercado por desenvolver produtos exclusivos para o cliente. Para se ter uma ideia, esse tipo de pensamento traz uma relação emocional entre empresas e consumidores com os produtos da companhia. 

Mas por que os produtos da Apple são diferentes dos produtos de seus concorrentes? 

Como a Apple consegue inovar em seu portfólio de produtos?  

Para responder os dois questionamentos acima, é importante relembrar a história da companhia, destacando como ela sobreviveu ao período mais crítico, entre 1985 a 1997. 

A volta de Steve Jobs 

Quando Steve Jobs voltou para a Apple, após ser demitido, a ação da companhia valia somente US $ 5. Para piorar, o futuro da organização era incerto. Já em 2016, a ação da Apple alcançou quase US $ 108, além de garantir uma receita de US $ 233,7 bilhões em 2015 com lucro líquido de US $ 53,39 bilhões. 

Este mini estudo tem como objetivo mostrar de que forma o pensamento de design e a inovação ajudaram Steve Jobs a resgatar a Apple, com uma estratégia direcionada para o consumidor e a visão do negócio. 

Os tempos difíceis da Apple 

Fundada em 1976 por Steve Jobs(e outros founders), a empresa criou em seus primeiros dias um computador. Naquele período, a companhia dominava o mercado porque não havia concorrência para esse tipo de produto, pois as máquinas eram utilizadas somente por governos ou grandes empresas. 

Porém, em 1985, Jobs foi forçado a deixar a empresa. Essa saída marcou o início de um momento complicado não só na estratégia da companhia, mas também no desenvolvimento de produtos. 

Entre 1985 e 1997, a Apple teve que lutar bastante para atingir o sucesso no mercado, principalmente após a saída de Jobs e a chegada de outros concorrentes gigantes no mercado, como a IBM. Nesta fase, a organização enfrentou diversos desafios. 

  • Estratégia volátil devido à mudança de equipes executivas; 
  • Visão obscura sobre a estratégia competitiva da Apple, principalmente após a entrada da IBM no mercado; 
  • Falta de clareza sobre a venda de licenças de sistema operacional. Isso coloca a companhia em competição com o sistema operacional Windows; 
  • Produtos com grandes falhas, como o Newton PDA; 
  • Produtos sem muito sucesso no mercado, como PowerBook;
  • Produtos não eram exclusivos no mercado; 
  • Consumidores inseguros e confusos sobre as estratégias da empresa. 

Pare e pense. Qual seria a sua reação diante de tantos problemas? Fechar o negócio? Demitir a equipe? Trazer novos membros para a organização? A Apple foi muito além disso. Acompanhe a seguir! 

O poder do Design Thinking para aumentar a inovação

A Apple é conhecida por ser uma das empresas líderes no campo da inovação. Esse título não teria acontecido se ela não adotasse o pensamento de Design ThinKing. 

Trata-se de um processo orientado para uma solução. Ele é utilizado para alcançar a inovação, colocando o consumidor no centro de todos os estágios de desenvolvimento. Tim Brown, presidente e CEO da IDEO, define o design thinking da seguinte forma: 

“ Design thinking é uma abordagem centrada no ser humano para a inovação que se baseia no kit de ferramentas do designer para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades da tecnologia e os requisitos para o sucesso dos negócios . ”

Steve Jobs ainda levanta uma reflexão interessante sobre o papel do design. 

“A maioria das pessoas comete o erro de pensar que design é o que parece. As pessoas pensam que é este verniz – que os designers recebem esta caixa e dizem, ‘Faça com que pareça bom!’ Não é isso que pensamos que é o design. Não é apenas a aparência e a sensação. O design é assim que funciona. ” – Steve Jobs

Características de design thinking

Grande parte dos estudiosos e profissionais que trabalham com design thinking busca alcançar a inovação por meio de três fatores principais que são destacados na imagem abaixo. 

Desejo do usuário: o produto deve satisfazer as necessidades do cliente, resolvendo os problemas por meio de um processo focado no usuário; 

Visibilidade de mercado: produtos de sucesso precisam de uma estratégia de marketing que esteja relacionado com o público-alvo do negócio. Ferramentas, como a análise SWOT, ajudam a entender os pontos fortes, fracos, oportunidades e quais são as ameaças que podem prejudicar o desenvolvimento daquele produto; 

Possibilidade de tecnologia: a tecnologia oferece ferramentas de última geração para os designers inovarem e criarem produtos que atendam as necessidades das empresas. Ela deve ser aplicada ao longo do processo de desenvolvimento. A automação criativa é um ótimo exemplo. Trata-se de produção de peças criativas que usam a tecnologia para escalar com qualidade, sem perder a eficiência. Por meio dela, você aumenta a performance e os resultados. 

Novas linhas de pensamento 

Steve Jobs voltou para a Apple em 1997. O retorno ficou marcado por aplicar exatamente as características de design thinking que foram listadas no tópico acima. O empresário aplicou os conceitos que foram concentrados nas seguintes ideias. 

  • Necessidades e desejos dos clientes, ao invés de pensar somente na empresa; 
  • Desenvolver empatia auxiliando as pessoas a amarem os produtos da empresa; 
  • Desenvolver um produto fácil de utilizar, que não seja burocrático para as pessoas; 

Todos os pontos que foram mencionados podem ser identificados com clareza nos produtos da Apple. Apesar dos concorrentes se concentrarem nesses recursos, a companhia foca na experiência de usuário holística. O iMac, por exemplo, é conhecido por ser silencioso, além de ter som e tela de ótima qualidade. Para chegar a esse tipo de produto, a Apple desenvolveu o seguinte pensamento.

  • Excelência na execução: Jobs eliminou 70% dos novos produtos e focou nos produtos que teriam mais probabilidade de gerar receita; 
  • Estratégia de plataforma: a Apple focou nos produtos que exigem menos reparo e manutenção do seu time; 
  • Interação com o consumidor: cliente participou de testes de usabilidade. O design das interfaces foi concentrado na experiência do cliente; 
  • Produtos bonitos: saiu dos modelos de design comuns e buscou soluções mais atrativas. 

Gostou do case de estudo da Apple? A história mostra uma lição clara sobre como o design e a inovação podem fazer com que um negócio saia do abismo e conquiste uma posição de liderança no mercado competitivo. 

O Design Thinking ajudou a Apple na inovação, colocando os consumidores no centro do processo. A ausência de Steve Jobs traz duas conclusões interessantes para vários tipos de empresas. 

  1. Copiar as outras companhias não é uma estratégia interessante; 
  1. Falta de inovação pode levar qualquer companhia do sucesso para o fracasso. 

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Google 

Quer mais dicas interessantes para aplicar em sua empresa? Agora, vamos mostrar como o Google utilizou o Design Thinking para trazer inovação para a companhia. 

A história 

Em um passado não muito distante, o Google compartilhou as estratégias que ele utiliza para buscar inovação em sua empresa. O maior buscador do mundo destaca que não existe uma fórmula secreta para esse processo. Pelo contrário, a companhia descobriu que pode ter novas ideias de forma simples e continuada. Para isso, aplica um Brainstorm cada vez mais eficiente. 

De acordo com o Google, todas as empresas podem aproveitar desse tipo de metodologia. Afinal, é um processo como outro qualquer. E a beleza dele é que pode ser ensinado, aprendido e compartilhado com todas as outras pessoas da sua equipe. 

Ao contrário do que muita gente imagina, o brainstorming no Google não é encarado como uma simples metodologia em que as pessoas jogam ideias a todo o momento. Para tornar essa etapa mais eficiente, a empresa criou um processo linear para brainstorming e para transformar as ideias em produtos reais, que consiste em grandes momentos: conheça o usuário, pense 10x e protótipo. 

O primeiro passo é conhecer o usuário. Para resolver um problema, você precisa se concentrar nas dores que aquela pessoa está enfrentando naquele momento. Imagine que você quer desenvolver uma plataforma de Automação Criativa para facilitar a rotina de agência com produções de peças em massa. 

Para desenvolver o melhor software, é essencial conversar com os profissionais com mais chances de utilizarem a tecnologia, conhecer os seus desafios e gargalos. Se possível, viva a experiência na área, pelo menos, alguns dias ou meses. Dessa forma, conseguirá entender melhor qual é o potencial da sua solução para o mercado. 

Outra dica interessante é pensar 10x. Essa ideia é bastante comum no mundo dos negócios e é uma das características mais presentes na rotina do Google. A lógica é bastante simples: tentar melhorar algo 10 vezes em vez de 10%. 

Quer um exemplo? 

O Projeto Loon é uma iniciativa do Google que busca fornecer acesso à internet para todas as pessoas. Inicialmente, a proposta era instalar apenas mais fibras. Após pensar na ideia várias vezes, a companhia desenvolveu uma tecnologia que permite expandir a conexão para áreas rurais e remotas, ajudando a preencher as lacunas de coberturas que são mais complicadas de alcançar. 

Para chegar a uma solução como a do Google, recomendamos que todos os membros da sua equipe anotem as ideias de forma individual antes de se reunir com o grupo novamente. Depois, em um próximo encontro, compartilhe as suas anotações para que o processo de brainstorming comece a funcionar. Segue abaixo algumas orientações para ajudá-lo nesse processo. 

  • Use as ideias de outros colaboradores como fonte de inspiração; 
  • Gere muitas ideias; 
  • Destaque ideias para identificar pontos mais importantes;
  • Faça ilustrações para melhorar a interpretação do conteúdo;
  • Pense grande, ou seja, dê espaço para ideias ousadas. Frederik Pferdt, chefe de inovação e criatividade do Google, gosta de dizer: “Um pouco além da loucura é fabuloso!”
  • Adie o julgamento: não tome as decisões de forma precipitada. Provavelmente, no outro dia ou nas próximas horas, ela será aperfeiçoada e a sua equipe poderá usufruir desses pensamentos de forma prática e clara. 

Para completar, esqueça aquela velha tática de definir quais são as ideias mais geniais e seguir com os próximos passos. Faça uma nova reunião, discuta os pontos dela, tente prever gargalos e estratégias para otimizar as ações. Sem dúvidas, esse processo será mais rico para a sua equipe. 

No vídeo abaixo, compartilhamos um conteúdo interessante que mostra como as ideias do Google Moonshot nascem. Vale a pena assistir e viver uma experiência incrível. 

Percebeu o poder que o Design Thinking pode trazer para a sua empresa? Então, sempre que possível, recomendamos revisitar este artigo para verificar se o seu negócio está aplicando essa metodologia. 

Após descobrir as principais informações sobre o Design Thinking, siga-nos nas redes sociais e descubra outras dicas que podem impactar no sucesso do seu trabalho.

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